quarta-feira, 13 de abril de 2011


Arrastei os olhos até a janela. O céu estava bonito, azul, indiferente a tudo. Grandes nuvens brancas manchavam a imensidão azulada. O sol brilhava, grandioso.
Mas, naquele dia, era diferente. Tudo aquilo me dava um grande aperto no peito e uma vontade de chorar.
O mundo não se importava com o meu sofrimento. As pessoas continuavam a caminhar pela calçada, o sol ainda brilhava, as flores ainda exalavam seus perfumes. Podia ouvir do quarto os gritos divertidos das crianças que corriam, suadas, pelas ruas.
Afastei o olhar da janela, me encontrando novamente no espelho. Eu era quase irreconhecível. Tentei sorrir, fracassando.

Desci as escadas em passos lentos, não me preocupando em chegar a lugar algum. Eu não tinha pressa. A vida havia perdido o sentido. Me sentia cansada, a cabeça doía… parecia ressaca, mas não era. Meus pés me guiavam pela sala, solitária e vazia. Ninguém em casa.
Ninguém em lugar nenhum.

                                                                     Beatriz Campos.

 

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